quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O significado de viajar...

Durante a viagem, conheci muitas pessoas. Centenas. E entre elas, muitos viajantes, assim como eu. Comecei a reparar que cada um tem a sua viagem, seu estilo próprio de viajar, sua história que está sendo construída durante a viagem.

Vou começar pelo casal de amigos, a Inês e o Franco, que moram na Alice. A Alice é uma Kombi. Em maio, farão dois anos de viagem. A Alice é linda, desfruta de cozinha, quarto, sala e banheiro. Por onde passa, ela encanta. Ela, estudiosa dos contos populares, ele fotógrafo, os dois um pouco de tudo. Se emaranham pelo Brasil adentro, em cada canto, em cada meio, eles sabem o que é realmente o Brasil. O diário de bordo está em WWW.historiasdealice.com.br.

Em João Pessoa também conheci um casal de alagoanos, viajam em um motorhome. Um monstro. Uma casa móvel. Atrás, um uno para os passeios. A casa, com toda higiene e conforto, mudam apenas o quintal. Cozinha, banheiro, quarto. Um luxo.

Há também os usuários de barracas. Uns que precisam apenas da barraca para dormir. Outros, levam mesa, caixa térmica, churrasqueiras, televisão, ventilador e tudo que se tem direito. Tudo amontoado num carro de passeio. Marcam em grupos e aproveitam a praia como plano de fundo.

Na praia dos Espelhos, há o quintal mesmo. Gente cheia grana que fica com seu computador, laptop, notebook ou seja lá o que for, sentada numas poltronas a beira do mar. E por que não cercada de redes para não ser incomodado pelos insetos?

Há também muitos estudantes, principalmente em albergues. Estes, economizam o que podem durante o dia, porque a noite é que se conhece a cidade. E vai pra balada, arrumam paqueras, enchem a cara e se faz a história.

Outros, passeio familiar! Família toda reunida, ou parte dela. O que importa é a relação entre si, a aventura une ainda mais.

Há também muitos solitários, como eu. Desde jovens até pessoas divorciadas, que refazem a vida conhecendo o mundo, o Brasil, vivendo!

E lá conheci a Vanda, minha amiga divorciada, cuja história me interessou muito. Guerreira. E sozinha viaja por entre albergues conhecendo pontos turísticos e pessoas das mais variadas. Gosta da cultura do local, procura saber a história do povo. Eu me identifiquei muito com esta minha nova amiga, que é uma doçura de pessoa.

Achei interessante também um rapaz de Curitiba, que conheci no Jalapão, em Tocantins. Passou dois dias viajando de carro para o Jalapão e um dia e meio para fazer o percurso do Jalapão para depois retornar a Curitiba. A rapidez da viagem foi uma coisa impressionante. Economizava até nas palavras:

“- De onde é?

- Campinas.

- Curitiba. Meu nome é fulano e faz dois dias que estou viajando.”

Quando chegávamos a uma cachoeira, ele tirava rapidamente a roupa, dava um mergulho e saia. Quinze minutos depois estava no próximo atrativo, enquanto, ainda, desfrutávamos da beleza do lugar. Foi um pouco mais difícil digerir isso, mas o rapaz tinha pouco tempo de viagem, pelo menos aproveitou viajando. Cada um faz a sua viagem, se era esse o tempo que ele tinha, fez do seu jeito.

Fiquei pensando o estilo da minha viagem. Comecei com a brincadeira das moedas. Paguei todas minhas hospedagem em moedas. Fiz amigos de todo lugar do Brasil (e do mundo também). Meu carro foi minha casa durante 37 dias. Procurei levar apenas o que podia carregar. Nada de luxo. Nada de exageiros. Comida, barraca leve, caixa de ferramenta, fogareiro, e equipamentos de diversão: snorkel e nadadeiras! Se for preciso dormir no carro, eu durmo. A cultura dos lugares é um dos maiores atrativos. As pessoas nativas são a maior riqueza. A idéia de ter ido de carro foi indispensável. A história, as pessoas nativas, os contos, a pureza... Aquilo tudo me encantou e me encanta... Todos os dias olho as fotos e fico lembrando da delícia que foi tudo aquilo...