quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Após a saga de Alcântara, parti rumo a Belém. Queria passar em Salinópolis, mas acabei vindo direto mesmo. Na estrada, a MA-106, que liga Cujupe a Governador Nunes Freire, está terrível. Buracos enormes no meio da pista!!! Muito cuidado! Agora a BR-316 está muito boa, até Belém! Pista simples, mas muito boa mesmo. Sem problemas para dirigir durante o dia. Meu ponto de parada foi a cidade de Pinheiro em Maranhão, na pousada da Dona Karen, que é 15,00 com café da manhã, e fica ao lado da rodoviária (pousada Brasil). Quarto com banheiro coletivo, ventilador e sem internet. Depois, acordar cedo e seguir viagem!
Belém é uma cidade fantástica! É extremamente grande, um trânsito terrível, mas um centro histórico lindo, a cidade é toda arborizada, cheia de praças, mangueiras, coqueiros e palmeiras. Surpreendi com o tamanho de Belém. É enorme isso. Além disso, tem coisas muito preservadas, patrimônios culturais bem valorizados pela cidade, além de placas indicando, além dos motoristas malucos! Já fui direto para a catedral da Sé, que é linda. Em frente o Forte de Presépio, e a cidade é banhada pela Baía de Guajará.
Aí, fui me encontrar com minha nova amiga psicanalista de São Paulo,Wanda, que conheci em São Luis, no hostel e fomos a Estação da Doca, Mercado Ver-o-Peso, onde comi um peixe com açaí. O negócio é bem estranho! O açaí é servido numa tigela, ele líquido com gelo, aí, num prato vem o peixe empanado. Na tigela, você coloca açucar e farinha e come com o peixe! Estranho, não?! Mas muito gostoso. Depois fui fotografar umas frutas mais diferentes pelo mercado e ver as especialidades da cidade. Também fomos ao Theatro da Paz, lindíssimo!!!! Magnífico mesmo. A entrada hoje era gratuita (quarta-feira), nos outros dias é R$ 4,00. A visita é guiada e o theatro maravilhoso, cheio de detalhes e muito bonito mesmo! Todo elegante, tapete vermelho, pintura a mão, tudo importado. Vale a pena. E fica na frente da praça da República.
Depois fomos tomar um Tacacá, que é uma sopa de mandioca com goma de tapioca, camarão frito, e jambu, que é uma folha tão forte que anestesia a boca. O gosto é estranho de dizer, é bem salgada, o jambu é azedo bem salgado, amortece a lingua. Eu não gostei muio não, mas acho válida a experiência!
Agora pego a primeira chuva da viagem, em Belém, a famosa chuva da região norte!

Igreja da Sé

Forte do Presépio
Eu e Wanda, peixe com açaí no mercado Ver-o-peso

Eu e Wanda comendo um Tacacá, meu último!

Alcântara

Depois de ter passado a noite mais uma vez no hostel de São Luis, o meu tempo por ali se esgotou. Acordei bem cedo e no café conheci algumas pessoas, dentre elas um casal alemão que estava indo aos Lençóis com o Sérgio, ator de teatro de SP. E também o professor sociólogo Reinaldo e o espanhol Carlos, que iriam a Alcantara. Eu tomava meu café pronta para deixar São Lus sem rumo muito certo, aí, acertei de levar a dupla de Alcântara junto ao gaúcho André, pois iria de Itaqui de Ferry-boat para Cujupe. O preço do translado do porto em São Luis para Alcântara custa R$ 12,00. O Ferry custa 60,00 pelo carro com o motorista e mais 8,00 por passageiro, porém sai do porto indo para Itaqui e chega em Cojupe, que fica a uns 20 minutos de Alcântara. Assim, fomos os quatro a Alcântara, cidade histórica, cheia de ruinas. É uma cidade simples, que guarda muita história do século XVII e XVIII.
O nome da cidade se dá à Dom Pedro de Alcântara que ficou de visitar a cidade, nisto todos prepararam para recebê-lo. Dois partidos, liberal e conservador, disputaram a luta numa construção de igrejas, uma delas a Nossa Senhora do Carmo, que está de pé até hoje. A outra acabou em ruinas por falta de dinheiro.
Contou-nos a história um funcionário da igreja que nos acompanhou durante todo o passeio, o Sr. Tchom (não sei como se escreve).
A cidade é uma graça, com chão de pedra, muito simples e com paisagens bonitas, como praias. De lá, avista-se São Luis. A cidade tem a população hoje de 20mil habitantes. O interessante do Maranhão é que no percurso das estradas, observa-se muitos povoados à sua beira, com nomes. Ali, tinham muitas casas de barro, com telhados de palha.
Depois, nos aventuramos a pegar uma praia em Alcântara, indo de carro até certo ponto e depois atravessamos um braço de mar de canoa a remo, com o Neném, que fica na pousada. Durante o curto percurso, observamos muito caranguejos e os guarás, pássaros bem avermelhados, lindos! A faixa de areia é super extensa, e a praia absolutamente deserta. Andávamos sobre os bancos de areia. Coisa maravilhosa. O único problema foram os piolhos de peixe que beliscavam a gente! Água era bem turma, devido a argila e o barro, mas muito quente e ondas bem fracas, boa para banho.
No retorno, conhecemos um povoado quilombola, Conceição, onde estava a Mariluce, que é a mais velha do grupo, com 68 anos e o seu filho, presidente do quilombo. Atenderam-nos super bem, com sorrisos nos rostos e muita história no olhar. São 38 famílias que vivem no quilombo Conceição, vivem do plantio, principalmente, do arroz, farinha. Uma graça de pessoas!
Na paisagem, muitos buritis, carnaúbas, açaís e babaçu. Quando vai ao oeste, vão sumindo os buritis e carnaúbas e aparecendo mais os babaçus...
A estrada de Cujupe a Alcântara foi recentemente recapeada e está ótima, porém, a estada de Cujupe a entrada de Bequimão está péssima, com buracos enormes, que não deixam você sair dos 40 a 60km/h.

Igreja em Alcântara-MA

Meus novos amigos: Carlos (Barcelona), Tchon (Alcântara), André (Rio grande do Sul) e Reinaldo (São Paulo)

Mariluce, a integrante mais velha da comunidade quilombola

Comunidade Conceição (Quilombola)