quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Alcântara

Depois de ter passado a noite mais uma vez no hostel de São Luis, o meu tempo por ali se esgotou. Acordei bem cedo e no café conheci algumas pessoas, dentre elas um casal alemão que estava indo aos Lençóis com o Sérgio, ator de teatro de SP. E também o professor sociólogo Reinaldo e o espanhol Carlos, que iriam a Alcantara. Eu tomava meu café pronta para deixar São Lus sem rumo muito certo, aí, acertei de levar a dupla de Alcântara junto ao gaúcho André, pois iria de Itaqui de Ferry-boat para Cujupe. O preço do translado do porto em São Luis para Alcântara custa R$ 12,00. O Ferry custa 60,00 pelo carro com o motorista e mais 8,00 por passageiro, porém sai do porto indo para Itaqui e chega em Cojupe, que fica a uns 20 minutos de Alcântara. Assim, fomos os quatro a Alcântara, cidade histórica, cheia de ruinas. É uma cidade simples, que guarda muita história do século XVII e XVIII.
O nome da cidade se dá à Dom Pedro de Alcântara que ficou de visitar a cidade, nisto todos prepararam para recebê-lo. Dois partidos, liberal e conservador, disputaram a luta numa construção de igrejas, uma delas a Nossa Senhora do Carmo, que está de pé até hoje. A outra acabou em ruinas por falta de dinheiro.
Contou-nos a história um funcionário da igreja que nos acompanhou durante todo o passeio, o Sr. Tchom (não sei como se escreve).
A cidade é uma graça, com chão de pedra, muito simples e com paisagens bonitas, como praias. De lá, avista-se São Luis. A cidade tem a população hoje de 20mil habitantes. O interessante do Maranhão é que no percurso das estradas, observa-se muitos povoados à sua beira, com nomes. Ali, tinham muitas casas de barro, com telhados de palha.
Depois, nos aventuramos a pegar uma praia em Alcântara, indo de carro até certo ponto e depois atravessamos um braço de mar de canoa a remo, com o Neném, que fica na pousada. Durante o curto percurso, observamos muito caranguejos e os guarás, pássaros bem avermelhados, lindos! A faixa de areia é super extensa, e a praia absolutamente deserta. Andávamos sobre os bancos de areia. Coisa maravilhosa. O único problema foram os piolhos de peixe que beliscavam a gente! Água era bem turma, devido a argila e o barro, mas muito quente e ondas bem fracas, boa para banho.
No retorno, conhecemos um povoado quilombola, Conceição, onde estava a Mariluce, que é a mais velha do grupo, com 68 anos e o seu filho, presidente do quilombo. Atenderam-nos super bem, com sorrisos nos rostos e muita história no olhar. São 38 famílias que vivem no quilombo Conceição, vivem do plantio, principalmente, do arroz, farinha. Uma graça de pessoas!
Na paisagem, muitos buritis, carnaúbas, açaís e babaçu. Quando vai ao oeste, vão sumindo os buritis e carnaúbas e aparecendo mais os babaçus...
A estrada de Cujupe a Alcântara foi recentemente recapeada e está ótima, porém, a estada de Cujupe a entrada de Bequimão está péssima, com buracos enormes, que não deixam você sair dos 40 a 60km/h.

Igreja em Alcântara-MA

Meus novos amigos: Carlos (Barcelona), Tchon (Alcântara), André (Rio grande do Sul) e Reinaldo (São Paulo)

Mariluce, a integrante mais velha da comunidade quilombola

Comunidade Conceição (Quilombola)

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