sábado, 4 de fevereiro de 2012

A vida é efemera

Durante a viagem, pensei diversas vezes na efemeridade da vida. É claro que eu estava suscetível. É claro que poderia me acontecer um acidente de carro, um roubo, ou qualquer coisa que arriscasse minha vida. E em que lugar do mundo não estaria suscetível?
A única coisa que realmente passava na minha cabeça é: eu estou sendo feliz! Se não me importar em ser feliz no presente, não há nenhum outro tempo que eu poderia 'conjugar' a felicidade. A vida é efêmera. Lembro de meu pai que passou a vida construindo uma casa, trabalhando excessivamente para ter uma velhice confortável e veio um câncer e tirou-lhe a velhice dos planos. E gastou parte das economias com remédios, médicos, hospitais... Do que vale o dinheiro nesta condição?

É preciso ser feliz hoje. A gente não é eterno...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Por que o Brasil?

No dia 11 de dezembro, postei no blog sobre minha vontade de viajar pelo Brasil. Acho que agora, depois da viagem, eu tive novas experiências para poder compartilhar um pouco mais desse Brasil, que eu ainda pouco conheço.
Achei incrível o tanto de gringos que encontrei pelo caminho. Franceses, mexicanos, espanhóis, italianos, alemães, turcos... Todos encantados com a beleza brasileira.
Pois encanto-me mesmo com essa diversidade, com esses contrastes de realidade, cultura, belezas naturais.
Minas Gerais é um estado que já conhecia, vencida pela simpatia dos mineiros, uma boa comida e aquelas cidades históricas que são maravilhosas. Diamantina é uma delícia. Salinas é a cidade da cachaça e valeu-me uma visita a tão hospitaleira destilaria Seleta. Alguns lugares que são o fim do mundo, mato de um lado, mato do outro, estrada de chão que não tem fim.
Depois entro no estado da Bahia, que tem aquela tranqüilidade e a malandragem da capital bahiana. Um lugar lindo, arquitetura do Pelourinho, aquela obra que é o elevador de frente ao Mercado Modelo, o Porto, umas praias lindas de encher os olhos de qualquer gringo que passe por lá. Um calor que só está começando, pensando em nordeste. Cidades pequenas que fazem o turismo circular no Estado, coqueiros, uma água azul, uma temperatura que permite qualquer hora um belo banho de praia.
Seguindo passo por Sergipe. Um pedacinho de estado que, num piscar de olhos, você passa, mas que possui uma beleza muito peculiar. Aracaju brilha com artesanatos, mercados, sabedoria popular.
Atravessamos o Rio São Francisco com a foz maravilhosa entre estados e Alagoas. Que estado magnífico. Plantações enormes de coqueiros à beira-mar, uma estrada bem próxima ao litoral e uma imensidão de praias maravilhosas. Uma mais linda que a outra. Uma água azul, verde, coisa que não se cansa de olhar.
Vamos subindo por Pernambuco que mescla as cidades históricas e as festas tradicionais de carnaval com o praias lindas de recifes e piscinas naturais. Um encanto. Um pequeno e encantador litoral. Oh, linda!
Segue-se pela Paraíba que tem suas praias e as suas particularidades. João Pessoa é uma cidade linda e encantadora. Praias extensas e diversas. Tem de tudo! História, praia, rios! Um povo pra lá de receptivo.
Rio grande do Norte é uma beleza! Praias de invejar. Começam aqueles cataventos das usinas eólicas que me seduzem. Começam também as dunas, parece um deserto e de repente um lago ou um mar. Começam as Carnaúbas. E os coqueiros ficam mais escassos.
No ceará, aquela beleza que todos invejam. Jericoacoara que é um paraíso indescritível. Lagoas, dunas, rios e mar. Uma montagem divina perfeita! Praias maravilhosas neste estado.
Piauí eu pouco conheci. O Delta do Parnaíba foi o ponto, mas que lugar lindo! Entre manguezais, carnaúbas, repleto de animais, dunas, praias, rios... Um rio imenso e muito rico. Um passeio que vale a pena.
Depois tem Maranhão, que também é uma delícia. São Luis com uma carga histórica muito grande. Tem também Alcântara que é linda de se ver. Praias gostosas, aquelas casinhas de barro que o mosquito barbeiro adora, porém que confesso que fazem um charme enorme no meio da estrada. Pena que são tão prejudiciais para a saúde da população. Começam os babaçus... Os lençóis maranhenses nem se fala! Coisa espetacular. Aquela areia amarela, céu azul e a mata verde. Você vê claramente a bandeira do Brasil! Depois tem a Chapada da Mesa, em Carolina e Riachão. Aquilo é de uma beleza única. Nunca vi água tão perfeita como a do Poço Azul. Eita mundão, não acaba não!!!!!
Pará, um estado extenso e muito diversificado. Belém é uma super capital, já uniu com várias cidades ao redor. Tem a Ilha do Marajó que tem uma beleza única. Aqueles búfalos, campos alagados, coisa doida! Belém tem aquela carga cultural lindíssima, cada canto, uma mangueira e uma história. Água por todos os lados, mercado do peso, artesanato marajoara, as pessoas muito atenciosas. Mais um lugar maravilhoso.
Em Tocantins? Aquele fim de mundo? Provavelmente não tem nada! Eu sei que tem!!! E tem até demais!!!! O que dizer de um estado que me recebeu com um casal de araras cruzando meu caminho? Tudo muito preservado, muito civilizado. Ainda sem muita identidade cultural, mas muito rico pela diversidade que tenta se unificar naturalmente. Água, vegetação... O Jalapão ganha um brilho maravilhoso! É tudo aquilo ali! Águas, cachoeiras, as veredas, os buritis, o cerrado... Sei lá descrever tudo aquilo!!!!
Meus caros, o Brasil é tão lindo! Só posso desejar a vocês um feliz 2012 e que coloquem em seus destinos um lugar diferente deste nosso país em suas metas...


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O significado de viajar...

Durante a viagem, conheci muitas pessoas. Centenas. E entre elas, muitos viajantes, assim como eu. Comecei a reparar que cada um tem a sua viagem, seu estilo próprio de viajar, sua história que está sendo construída durante a viagem.

Vou começar pelo casal de amigos, a Inês e o Franco, que moram na Alice. A Alice é uma Kombi. Em maio, farão dois anos de viagem. A Alice é linda, desfruta de cozinha, quarto, sala e banheiro. Por onde passa, ela encanta. Ela, estudiosa dos contos populares, ele fotógrafo, os dois um pouco de tudo. Se emaranham pelo Brasil adentro, em cada canto, em cada meio, eles sabem o que é realmente o Brasil. O diário de bordo está em WWW.historiasdealice.com.br.

Em João Pessoa também conheci um casal de alagoanos, viajam em um motorhome. Um monstro. Uma casa móvel. Atrás, um uno para os passeios. A casa, com toda higiene e conforto, mudam apenas o quintal. Cozinha, banheiro, quarto. Um luxo.

Há também os usuários de barracas. Uns que precisam apenas da barraca para dormir. Outros, levam mesa, caixa térmica, churrasqueiras, televisão, ventilador e tudo que se tem direito. Tudo amontoado num carro de passeio. Marcam em grupos e aproveitam a praia como plano de fundo.

Na praia dos Espelhos, há o quintal mesmo. Gente cheia grana que fica com seu computador, laptop, notebook ou seja lá o que for, sentada numas poltronas a beira do mar. E por que não cercada de redes para não ser incomodado pelos insetos?

Há também muitos estudantes, principalmente em albergues. Estes, economizam o que podem durante o dia, porque a noite é que se conhece a cidade. E vai pra balada, arrumam paqueras, enchem a cara e se faz a história.

Outros, passeio familiar! Família toda reunida, ou parte dela. O que importa é a relação entre si, a aventura une ainda mais.

Há também muitos solitários, como eu. Desde jovens até pessoas divorciadas, que refazem a vida conhecendo o mundo, o Brasil, vivendo!

E lá conheci a Vanda, minha amiga divorciada, cuja história me interessou muito. Guerreira. E sozinha viaja por entre albergues conhecendo pontos turísticos e pessoas das mais variadas. Gosta da cultura do local, procura saber a história do povo. Eu me identifiquei muito com esta minha nova amiga, que é uma doçura de pessoa.

Achei interessante também um rapaz de Curitiba, que conheci no Jalapão, em Tocantins. Passou dois dias viajando de carro para o Jalapão e um dia e meio para fazer o percurso do Jalapão para depois retornar a Curitiba. A rapidez da viagem foi uma coisa impressionante. Economizava até nas palavras:

“- De onde é?

- Campinas.

- Curitiba. Meu nome é fulano e faz dois dias que estou viajando.”

Quando chegávamos a uma cachoeira, ele tirava rapidamente a roupa, dava um mergulho e saia. Quinze minutos depois estava no próximo atrativo, enquanto, ainda, desfrutávamos da beleza do lugar. Foi um pouco mais difícil digerir isso, mas o rapaz tinha pouco tempo de viagem, pelo menos aproveitou viajando. Cada um faz a sua viagem, se era esse o tempo que ele tinha, fez do seu jeito.

Fiquei pensando o estilo da minha viagem. Comecei com a brincadeira das moedas. Paguei todas minhas hospedagem em moedas. Fiz amigos de todo lugar do Brasil (e do mundo também). Meu carro foi minha casa durante 37 dias. Procurei levar apenas o que podia carregar. Nada de luxo. Nada de exageiros. Comida, barraca leve, caixa de ferramenta, fogareiro, e equipamentos de diversão: snorkel e nadadeiras! Se for preciso dormir no carro, eu durmo. A cultura dos lugares é um dos maiores atrativos. As pessoas nativas são a maior riqueza. A idéia de ter ido de carro foi indispensável. A história, as pessoas nativas, os contos, a pureza... Aquilo tudo me encantou e me encanta... Todos os dias olho as fotos e fico lembrando da delícia que foi tudo aquilo...